quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Como arcebispo, dom Paulo fez a opção pelos mais pobres

Dom Paulo foi o responsável pela criação de centros comunitários nos bairros mais afastados da cidade

Assembléia Nacional Constituinte 1987-1988: em frente à Catedral da Sé, em São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns participa do início da Caminhada pela Constituinte, rumo a Brasília. (São Paulo, SP, 28.03.1987.) (Fernando Santos/Folhapress)

Logo após ser nomeado cardeal pelo papa Paulo VI, em 1973, o então cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, vendeu o antigo Palácio Episcopal, na capital paulista, e se mudou para uma residência no bairro do Sumaré, na zona oeste da cidade.

Com o dinheiro obtido, investiu na chamada Operação Periferia, com o objetivo de criar centros comunitários nos bairros mais afastados da cidade. O plano era consolidar as bases do trabalho pastoral dirigido aos mais pobres.

No mesmo ano, no auge do regime militar, promoveu a Semana dos Direitos Humanos. Para que ela fosse divulgada, distribuiu 150 mil folhetos e fez a divulgação pela Rádio Nove de Julho, que pertencia à Arquidiocese de São Paulo. Foi o suficiente para que a concessão fosse cancelada pelo governo.

Dentro da igreja católica, dom Paulo atuou na criação da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e incentivou as pastorais Operária e da Moradia. Com o apoio da irmã, Zilda Arns, que morreu no Haiti, durante o terremoto de 2010, criou também a pastoral da Infância.

Dom Paulo foi substituído por dom Cláudio Hummes em abril de 1998, aos 76 anos. Durante os 28 anos em que esteve à frente da Igreja Católica em São Paulo, foram criadas 43 paróquias e 1,2 mil centros comunitários. No período também foram implantadas mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base na periferia da metrópole.

Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo - 26/08/20081/25Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo - 26/08/2008 (CLAUDIO ROSSI/VEJA)

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