Portugal não está na lista divulgada na Wikileaks. Pedidos foram feitos pela representante legal do ex-espião. Ambos continuam no aeroporto de Moscovo, na Rússia.
Snowden está a ser visto por alguns como um heróis e por outros como um traidor MARIO TAMA/AFP
Edward Snowden, o ex-espião que se tornou um dos homens mais procurados pela Administração Obama depois de ter revelado dados sobre a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, pediu asilo político a 21 países, para tentar evitar a extradição para o seu país que já o acusou formalmente.
Áustria, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Finlândia, França, Alemanha, Índia, Itália, Irlanda, Holanda, Nicarágua, Noruega, Polónia, Rússia, Espanha, Suíça, Venezuela, Equador e Islândia foram os 21 países seleccionados pelo antigo funcionário da CIA e divulgados pela Wikileaks.
Os pedidos foram entregues ainda durante segunda-feira pela representante legal de Snowden, a britânica Sarah Harrison, a um oficial russo no consulado no Aeroporto de Moscovo. O objectivo é que os documentos cheguem através do consulado às várias embaixadas mais relevantes representadas em Moscovo.
A representante já tinha antes feito saber que tinha pedido asilo à Rússia bem como à Islândia e Equador. A britânica Sarah Harrison é uma das conselheiras mais próximas do fundador da WikiLeaks, Julian Assange, e está retida com Snowden no aeroporto de Cheremtievo, em Moscovo.
Nem Snowden nem Harrison foram vistos desde que chegaram ao aeroporto russo, no dia 23 de Junho. Questionado sobre o paradeiro de ambos, o funcionário do consulado russo no aeroporto, Kim Chevchenko, nada adiantou: "Ela não disse e eu não perguntei."
Rússia disponível
Na segunda-feira o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Snowden poderá permanecer na Rússia, com a condição de parar de divulgar informações secretas. "Se ele quiser permanecer aqui, há uma condição – deve deixar de infligir danos aos nossos parceiros norte-americanos, por mais estranho que esta declaração possa parecer vinda de mim", declarou Putin.
Também na segunda-feira, numa conferência de imprensa na Tanzânia, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou que o país está em contacto com "os canais comuns para fazer cumprir a extradição de Edward Snowden" em todos os países por onde o norte-americano de 30 anos passou, "incluindo a Rússia".
Já antes, escolhendo também a Wikileaks, Snowden tinha quebrado o silêncio de algumas semanas para acusar o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de estar a violar os seus direitos como cidadão norte-americano e de o ter deixado “sem pátria”, ao cancelar o passaporte e tentar castigá-lo apenas por ter dito a verdade.
“Obama ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes nacionais a quem pedi protecção para que neguem os meus pedidos de asilo”, lê-se na declaração do antigo funcionário da Agência Nacional de Segurança norte-americana. E acrescentou que deixou Hong Kong por considerar que a sua “liberdade e segurança estavam ameaçadas por ter revelado a verdade”.
“Instrumentos antigos de agressão política”
“Esta atitude por parte de um líder mundial não é justiça, assim como também não é a pena do exílio. Estes são instrumentos políticos antigos de agressão política. O objectivo é assustar, não a mim, mas a todos os que venham na minha direcção”, diz na mesma declaração.
“Durante décadas, os Estados Unidos da América foram uns dos defensores mais fortes do direito humano a não ser condenado ao exílio”, acrescentou, lamentando que agora o seu país pareça estar a abandonar uma ideia que votou na Declaração Universal dos Direitos Humanos. “A Administração Obama agora adoptou a estratégia de utilizar a cidadania como uma arma”, insistiu, defendendo que os governantes não temem espiões como Snowden mas sim que a população esteja informada sobre a realidade.
Assim que divulgou aos jornais as informações sobre espionagem aos jornais Guardian e Washington Post, Snowden refugiou-se a partir de 20 de Maio em Hong Kong e chegou a pedir para ser julgado naquela região administrativa da China. Contudo, depois seguiu de avião para Moscovo, quando os Estados Unidos apertaram com as autoridades chinesas para deterem o norte-americnao. Os procuradores dos Estados Unidos acusam o antigo funcionário da CIA de espionagem, roubo e uso inapropriado de informações do Governo.
Edward Snowden, de 30 anos, assumiu a responsabilidade pela divulgação das informações sobre os programas de vigilância interna da Agência Nacional de Segurança, justificando que não quer viver num mundo em que se exploram este tipo de informações. A fuga de informação expôs a existência do programa PRISM, através do qual a agência norte-americana recolhe dados de empresas de telecomunicações, como a Verizon, e de gigantes tecnológicos, como a Microsoft, Apple, Google e Skype e ainda de redes sociais, incluindo o Facebook.
Segundo o informático, a população está completamente indefesa perante a sofisticação do programa. “As pessoas não têm noção do que é possível fazer: a extensão das capacidades [da agência] é horripilante. Nós podemos plantar escutas dentro das máquinas. Quando você aceder à rede, eu identifico a sua máquina, e você nunca mais estará a salvo, independentemente das protecções que usar”, disse ao Guardian.
fonte:http://www.publico.pt/mundo/noticia/snowden-pede-asilo-a-21-paises-para-nao-ser-extraditado-para-os-eua-1598959
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